Copacabana Palace e o livreiro

Ontem estávamos passeando na orla, as crianças e eu. Uma orla sem carros, voltada aos pedestres. O dia estava bonito, com um vento fresco e apesar de estar com camiseta regata, Francisco não parecia estar com frio.

Decidimos que iríamos até o Copacabana Palace, que ficava logo após a colina. Iríamos ver onde a mamãe trabalhava.

Já no hotel as crianças sumiram. Fui encontrá-las atrás de um balcão em uma área administrativa no segundo andar, sob os olhares mal-humorados de um senhor que lá trabalhava. Consegui convencê-las a ir até o jardim do segundo andar.

Depois de brincarem no jardim resolvi chamá-los pra ir na biblioteca do hotel. O único que não quis nos acompanhar foi o filho da Julia. Mas ele é negro, será que ela já adotou uma criança e eu não lembrava?

Na biblioteca perdi as crianças de novo e não sabia se as procurava ou se olhava os livros. O bibliotecário (ou seria bibliotecária?), que mais parecia um anão ou anã de conto de fadas, ao me ver fez grande festa: “Há quanto tempo, majestade!” Por que será que ele tinha esta mania de nos chamar assim?

“Procuro algumas crianças, livreiro.” falei, me dirigindo a ele como ele gostava de ser chamado.

“Tem algumas ali naquela sala ao lado, mas não sei se são as suas,” ele respondeu.

“As minhas são as que estão ali no cantinho,” disse ao avistá-las.

À noite, enquanto caminhava pela rua sozinho, fiquei apertado para fazer xixi. Encontrei com o livreiro que me perguntou: “qual o seu problema, majestade?”

“Estou apertado, procuro um banheiro.”

O livreiro então me agarrou pela mão e decolou como um foguete, a mil por hora, eu balançando como um boneco na mão de uma criança.

“Pra onde vamos?,” perguntei.

“Te levo para o banheiro no palácio, majestade,” respondeu ele.

Não sei se foi a vertigem ou a velocidade, mas acordei logo em seguida.

Festa estranha

Encontrei a Ísis na festa. Perguntei se ela tinha visto a Joana. Não. Ela por sua vez me perguntou se eu tinha visto o Bruno. Também não.

Procuramos um pouco pela festa e chegamos à conclusão de que eles estavam em {…}. Decidimos ir até lá.

O Alessandro nos deu uma carona. Ele seguia a 140 km/h na contramão, desviando dos carros que, parecendo borrões, vinham em nossa direção. De vez enquanto soltava uma gargalhada: “Hahahaha, se bater faz BUM!”

Acordei sem saber se chegamos.

Mansão e sapatos

Hoje estava com a Cris e o Antônio em uma mansão com muitos aposentos. Antônio perguntou se tínhamos visto a sensacional adega. Fomos procurar.

Encontramos uma porta que supomos que fosse a tal adega. Era um aposento pequeno, sem janelas ou móveis. No canto havia uma abertura, como uma passagem secreta que alguém esqueceu de fechar. Entramos pela passagem estreita, eu com um pouco mais de dificuldade que ela em passar pela abertura.

Seguimos por um corredor enorme, em obras, cheio de janelas. Andamos muito até chegar em uma área que parecia um shopping, com o teto de vidro clareando o ambiente. Era enorme e parecia que tínhamos entrado em uma espécie de outra dimensão, porque não havia maneiras daquela área toda caber na mansão.

Logo me perdi da Cris. Fiquei andando pelo lugar observando as lojas, as pessoas, os seguranças. Notei que estava sem um dos sapatos. Só pode estar dentro do lago, pensei. Mas qual?

Fui procurando pelos lagos do shopping, mas era proibido entrar na água. Havia outras pessoas sem um pé dos sapatos e parece que todos sabiam que encontrariam os sapatos dentro de um dos lagos.

Apesar da proibição, algumas pessoas tentavam entrar nos lagos para procurar seus sapatos mas logo eram retiradas pelos seguranças. Tentei entrar também e só consegui pés molhados antes de ser retirado. Fiquei frustrado porque tinha certeza que meu sapato estava naquele lago.

Ao lado do lago onde estava meu sapato havia uma loja de vidro. Dentro dela um carro de luxo, Rolls-Royce, talvez. Depois de um tempo saiu da loja um casal que só podia ser o casal real daquele lugar.

Eles deram um par de sapatos para todos que tinham um dos pés descalços e entraram no automóvel. Deu pra ver de relance que o automóvel estava cheio de pacotes de fraldas de bebê.

Casório

Hoje fomos, a galera toda, ao casamento da Carol. Ela tinha virado evangélica, seu noivo e todos os outros convidados eram também evangélicos.

No meio da festa reparei um jipe. Cheguei mais perto pra olhar pensando
“parece com o carro da Dani”. Nisso chega a dona do carro pra sair e
fica me olhando com a cara de “o que ele quer com meu carro?”. Quando
ela abriu a porta notei que dentro, perto do painel, havia uma
churrasqueira suja de cinzas e gordura. Pelo interior do carro dava pra
ver que a churrasqueira já tinha sido usada muitas vezes.

Na hora do brinde rolou uma certa discórdia sobre a bebida. Nada sério, mas os evangélicos não queriam brindar onde tivesse álcool, e a galera não queria brindar com refri.

Resolvemos indo para um botequim comprar cerveja enquanto os evangélicos foram para o botequim ao lado, que era evangélico, comprar refrigerante. Por fim brindamos todos juntos.

Já chegou o disco voador

Outra noite eu estava certo que nosso planeta estava às vésperas de uma invasão alienígena. Não lembro exatamente quem estava comigo, nem se essa pobre alma acreditava em mim, mas essa pessoa se recusou a comer a nutritiva lama negra que tínhamos à disposição em nosso caminho.

Era preciso economizar recursos e energia para os tempos difíceis que viriam pós invasão. O problema é que ninguém acreditava em mim.

Com muito custo consegui alguns mantimentos com o dono de uma mercearia.

Na contramão

Hoje de manhã cheguei na estação Jardim Oceânico do metrô e uma composição estava andando na contramão, no trilho de chegada, mas em direção à Zona Sul.

Essa composição voltou para a área de manobra e parou na direção correta. Entramos com as luzes apagadas.

Não pensava em postar nanhuma história ocorrida em vigília, mas confesso que fiquei confuso se estava ou não acordado.

Medicamento com receita

Hoje gastei todos os meus tíquetes refeição comprando doces praquelas crianças. Nem sei quem são.

Mais tarde fui à praça Serzedelo Correia encontrar com um cara que vende medicamentos de venda controlada. Na hora de pagar notei que estava sem a receita. Também notei que não estávamos mais na praça, mas dentro de um ônibus na Lagoa-Barra, e por incrível que pareça isto não me surpreendeu.

Pedi ao meu caro vendedor que esperasse enquanto ia buscar a receita, e que por favor tomasse conta do meu celular que ficou carregando na tomada ao seu lado.

Ao descer lembrei que era melhor que esperar dentro do ônibus. Tentei subir de volta pela porta de trás, mas o motorista não parou nem diminuiu a velocidade. Fiquei então pendurado na porta traseira, empurrado pela força centrípeta causada pela curva à esquerda ao entrar no elevado do Joá em direção à Gávea.

Mas não estávamos indo na direção oposta?

Street fighting

Outra noite Gustavo e eu subíamos as escadas de um edifício em direção à caixa d’água. Era preciso saber qual o volume disponível na caixa, mas discordávamos se precisávamos do valor em litros ou galões.

Ao chegar no alto, o sótão era dividido em dois; em uma metade havia o sótão em si enquanto na outra se encontrava um quarto sem paredes.

No quarto era possível ver um casal fazendo sexo. Ele, negro e magro. Ela, branca e obesa. Ao nos verem pararam imediatamente e perguntaram o que diabos estávamos fazendo ali.

Descemos em disparada pelas escadas. Foi a última vez que vi Gustavo naquela noite. O homem negro também sumira.

Ao chegar na rua, me deparei com a mulher obesa e me perguntei como ela poderia ter descido mais rápido que eu.

Ela estava puta da vida e o que se viu em seguida foi uma espécie de Street Fighter II, onde ela era uma mistura de Chun-Li com Honda.

Não lembro se apanhei naquela noite.

Hoje estava em órbita

Dentro da cabine de um foguete, naquele espaço apertado, eu transladava ao redor da Terra. Os estágios iniciais do foguete já haviam sido destacados e a cabine flutuava sozinha.

Não lembro dos trajes que usava, mas o movimento de rotação do foguete era extremamente veloz, a ponto de eu não saber porquê eu não estava tonto. Isso me incomodava um pouco e eu não conseguia calcular essa velocidade de rotação nem com a ajuda do computador de bordo.